Há dias assim... #45
Um contratempo...
Uma contrariedade...
Um caminho diferente...
A arbitrariedade...
As opções e as escolhas...
Quando algo passa ao lado e ficamos a observar...
Quando sentimos fugir-nos das mãos o que tanto queremos...
Quando percebemos que a nossa vontade não chega...
Há dias em que um simples gesto diz tudo...
E a ausência dele mais ainda...
Há dias em que nos sentimos intransigentes connosco próprios, mas muito mais com os outros.
Sabemo-nos irrazoáveis...
Sabemo-nos de obrigação de distanciamento... observar e entender...
Há dias em que o filtro da compreensão se ausenta por tempo indeterminado e nos faz cair no irrazoável, no irresponsável, no insano...
Há dias em que queremos muito e nada...
Há dias em que percebemos que não importamos assim tanto... não importa assim tanto... não me importa assim tanto...
Sentir que se faz uma birra de criança porque não nos fizeram a vontade... e sentir a profunda frustração e desejo de que tivesse corrido de feição...
Há dias em que o Mundo não gira à nossa velocidade e temos que parar para voltar a agarrar... talvez na próxima volta...
Há dias assim...
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Há dias assim... #44
Ouço Mozart. Requiem. O aspirador a meio da sala. Meio metro ao lado o balde e a esfregona. Loiça por lavar na cozinha. Como sonho com a máquina da loiça! Já a pedi ao Pai Natal e disse-lhe que este ano me portei bem... E que no próximo me vou portar ainda melhor.
2 gatos enroscados em frente ao aquecedor. Luz fraca proveniente de um céu carregado, prestes a desabar sobre o verde e castanho da paisagem que se estende janela afora.
Ontem vi o mar. Aquele mar que me trouxe a estas paragens... Ondas enormes, de espuma branca. Grande, imponente, forte, cheio de uma força que não vemos de onde vem...
Um trago de Earl Grey bem quente. Roupão bem chegado ao corpo e um sofá que convida a simplesmente estar.
Lista infindável de coisas para fazer. Lista ínfima de vontade para...
Há dias em que deveríamos simplesmente ficar... na cama, no sofá, no aconchego....
Dias em que a luz convida a um livro emocionante, em que caneca nenhuma é grande o suficiente para tanto chá que o corpo pede.
Há dias em que o ficar e o não ir se confundem num cheiro de sconnes acabados de fazer com manteiga a derreter.
Meias de lá e cachecóis...
Mantas e almofadas...
Há dias em que tudo pára excepto o tempo.
Dias em que o pensamento não voa, o coração não bate o peito não se eleva...
Dias em que a inércia vence toda e qualquer tentativa de sair do marasmo...
Dias em que só os sentidos estão alerta. Sabor a chá. Cheiro a lareira. Letras e mais letras e palavras e frases e parágrafos e páginas e páginas e páginas e livros inteiros, que passam por debaixo dos meus olhos. Notas suaves, umas, fortes, quase agressivas outras, que me entram pelos ouvidos adentro sem pedir licença...
Há dias assim...
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Há dias assim... #43
Pelo ouvido entra um som suave e meigo...
Rodam esporadicamente as músicas, sempre no mesmo estilo.
Serenam-me o espírito turvo de emoções demasiadas e descomedidas.
Trnasmitem uma paz interior que não reina no meu peito.
Remar contra a maré. Jamais parar, apesar da força da corrente. Sempre remar... mesmo para lá do limite das minhas forças. E quando penso que não consigo mais... mesmo assim continuar. Contra todas as expectativas, remar, sempre remar...
Há dias em que a força é de tal forma intensa que os braços não respondem ao esforço.
Tremem da força contínua que empregam...
Sabe-se que parar ou esmorecer seria fatal.
Há dias em que perceber a diferença entre o querer e o dever é por demais doloroso.
Há dias em que se chora agora para não depois.
Há dias em que um alento menor sorri como maior e me impele ao dever contrário ao querer.
Há dias em que um coração sangra de dor e sorri de satisfação, de esperança, de alegria, de estímulo...
Há dias em que perceber e não perceber se tornam cada vez mais cinzentos, saber e não saber, querer e não querer, dever e não dever...
Sei o que devo fazer e fa-lo-ei. Doer-me-á horrores, mas fá-lo-ei... Porque também sei que essa dor é necessária a um renascimento, a um novo olhar, a um novo sorriso.
Terei o meu luto e renascerei. Sei-o agora melhor que nunca.
Há dias em que o nevoeiro se levanta e tudo começa a ser mais nítido. Estarei pronta quando chegar o momento de brilhar o sol...
Há dias em que se sente na pele o ligeiro calor dos raios que virão... Estímulo...
Há dias em que o marulhar das ondas se suaviza e parece eternizar-se...
Há dias em que o cheiro a terra molhada...
Dias em que o cheiro a mar...
Dias em que o cheiro a relva acabada de cortar...
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Há dias assim... #42
Há coisas etéreas... funestas... momentâneas.
Perdidas no espaço e no tempo, simplesmente são! Existem!
Por vezes discretas, suaves, quase imperceptíveis aos sentidos imediatos, vão e vêm e deixam marca... Existem! Marcam!
Outras, óbvias, espampanantes, quase chocantes aos olhos de comuns mortais, ficam! Existem! Marcam! Ficam!
Momentos, emoções, olhares, toques... Palavras soltas num discurso sem sentido. Sem destino... Apanhadas a meio de um caminho que não é o seu. Descodificadas. Percebidas. Sorrisos! Bem-estar!
E há dias que ficam marcados pelos momentos, pelas palavras soltas, pelos toques, pelos olhares, pela recordação do que sabe bem e bem faz sentir...
Há dias em que do nada surge um tudo... talvez um tudo nada que nada vale aos olhos de comuns mortais...
Percepção! Sintonia! Harmonia de pensamentos! Vontades que se encontram, palavras que se perdem, sorrisos que se chocam, sentidos que despertam, ritmos que se aceleram...
Há dias em que se espera o nada e o nada se tem e se vira costas e num último olhar tudo se ganha e tudo se conquista...
Há dias em que um segundo dividido em mil muda a rota do Universo e nos faz caminhar por uma estrada esburacada e cheia de curvas e sem berma marcada e com ramos caídos e ravinas perigosas e escura como breu...
Há dias em que sorrimos do nada e do nada voamos e voamos sem destino e sem destino nos encontramos...
Há dias em que um cheiro nos recorda uma emoção... um toque, uma sensação, um nada, um tudo...
Há dias em que não se explica e só se vivencia e não se percebe e só se deixa fluir...
Há dias em que preferia ficar quando me instigo a ir...
Há dias assim...
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Há dias assim... #41
Há dias assim... Há serões assim... Há entardeceres assim...
Um serão alone with myself... Uma garrafinha de Monte da Ravasqueira só para mim... Calor... A falta da Lua no céu estrelado... Mais um copo. Meu! Só meu! Um beijo perdido. Talvez imaginado... Sentido! Um calor que se me chega... Uma imagem... Talvez lembrança, talvez imaginação... Um som, um sabor... mais um trago que me sabe a céu... Um círculo perfeito... Ou talvez algo imperfeito... O perfeito e o imperfeito... Um aroma... Mais um trago de Ravasqueira que me leva céu afora... Provar! Saborear... Aproveitar.............. Gemer, talvez gritar... Não fugir... Talvez correr... A direcção? Mais um trago... As pausas, os breaks, os intervalos, os fins-de-semana, as férias, as ausências, as presenças... Os ruídos, os silêncios...
Enche-se o copo... esvazia-se o pensamento, o racional, o ponderado, o social, o correcto, o espectável.
Grito! Prazer? Dor? Excitação?
E mantenho... mais um trago... Parece que não acaba e prolonga a sensação, mais do que a emoção ou sentimento... Diz-se que se aproxima da mente... Primeiro a emoção, depois o sentimento, mais tarde a sensação, depois a razão... onde paro? Não sei... e jamais quererei saber, decifrar, interpretar, manipular... Jamais serei! Apenas sou! Sinto! Penso! Divago! Gemo! Encolho! Penso! Sofro! Sonho! Sou!!!
O agora, o agir sem pensar... O ouvir sem filtrar... o sentir sem validar...
O estar e ser e sentir e tremer e voltar a sentir e sonhar e descodificar e sonhar que se sente e sentir que não se pensa e voar livremente num Universo sem fim, sem censura, sem paredes, sem vidros, sem barreiras...
Mais um trago... Garrafa vazia. Último copo. Ouço gemer, ouço o prazer, ouço o viver...
Entre o vermelho e o roxo oscila... E eu fico! Estou! Sou! Espero! Sinto! Sonho! Viajo! Voo! Regresso! Racionalizo! Emocionalizo! Sentimentalizo! Simplesmente sou e ouço e ouço e vejo e sinto e quero e desejo e anseio e prevejo ou não prevejo nada...
Termina o som! O Sentir... O desejar... o aspirar... o sonhar... É o regresso da razão! Mais um trago! O desespero. O desejo de voltar... o Ensejo de sonhar... o sonho de vivenciar...
É o fim... da garrafa... do serão... do sonho... da emoção... do sentir... do sonhar... do esperar... do emocionalizar... do não racionalizar... do tentar viver sem filtro ou razoabilidade... É o fim!!! Terminou! Acabou! Finalizou! Limitizou... Para recomeçar ao nascer do sol... Ou não... O passado? Não sei! Gostaria de dizer que passou... mas também ficou! E marcou! E regressou! e Relembrou... Doeu!!!
Mais um trago e está quase no fim... Mais difícil do que o aceitar e o perceber, o interiorizar, o encaixar, o vestir a pele...
Dois tragos e a garrafa acaba... termina,... finaliza,... vai embora,... desaparece,... não deixa rasto... O hábito faz-se! Aceitar sem perceber... Mote? Lema? Direcção?
Simplesmente estar e viver... Mais: vivenciar!!! E depois passa... mas fica a memória, a lembrança, a recordação, o sentir, o ouvir, o cheirar, o tocar, o ver, talvez sonhar ou relembrar, quem sabe sonhar ou imaginar, ficcionar, viajar, alucinar... Ser feliz!!! Por um momento que seja...
Terminar com Há dias assim... Mas mais que dias... momentos, esperas, desejos, horas, vivências... seres... estares... sonhares... desejares... não desesperares... Acreditares!!!
Há dias em que de um momento para o outro tudo muda, altera, modifica, transforma...
Há dias em que o abstrair causa pânico e depois descontracção, relaxamento, intuição, sensação, sentimento, sensação... pavor... Sentir! É bom!!! Ou não!!! Castra-me! Assusta-me! Inibe-me! Pondera-me!!!
Não quero ser ponderada... Quero ser emocional!!!
Puramente emocional! Nada controlada, nada racional, nada controlada. Quero ser emocional e espontânea... Natural! Talvez convencional.. Talvez espectável... Mas eu!
Há dias em que quero ser eu sem qualquer filtro... O da emoção o da sensação o do convencional o do trivial o do normal o do natural expectável, censurável, reprimível... Desajustado...
Há dias em que simplesmente quero... sem pensar, sem socializar, sem racionalizar, sem poderar... Quero!
Há dias em que abro uma garrafa para saborear um trago e...
Há dias em que se me turva a vista e fico mais ajustada.
Há dias em que sou e quero e sinto e falo e escrevo e penso e derramo... sem qualquer filtro...
Há dias assim...
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Há dias assim... #40
Quando as palavras não chegam
E os actos não falam
Quando o branco é afinal amarelo e o preto cinza
Quando o silêncio nos berra aos ouvidos e os quês e porquês crescem sem respostas...
Há dias em que grito duma vez tudo o que penso... e depois amachuco a folha e deito fora...
Há dias em que resolvo calar e seguir em frente... e depois sinto-me assaltada pelo fantasma do não resolvido
Há dias em que simplesmente mudo o registo e aguardo que algo chegue ou não chegue... ou acho que não espero e não espero...
Há dias em que sinto mais que outros e penso que não quero... e depois deixo-me tomar de novo pelos quês e porquês...
Há dias assim...
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Há dias assim... #39
Quando um olhar se espraia no horizonte
Quando um som esvoaça por entre memórias e recordações
Quando um música desconhecida entra ouvidos adentro como se fizesse parte da mobília
Há emoções que não se explicam...
Há sensações que não se percebem...
Há dias em que o tudo e o nada estão ali de mão dada, lado a lado...
E lado a lado partilham as sensações que alimentam as emoções.
Há dias em que uma expressão fala mais que mil palavras... Um gesto, um olhar, um mimo que não se faz...
E quando uma palavra adquire outro significado
Quando um conceito se desconstrói e reconstrói
Quando as palavras se amaciam
Há dias em que o que não se tem vale mais do que se tivesse
Há dias em que a distância alimenta e apazigua
Há dias em que uma voz massaja ao de leve o espírito sedento te mimo
Quando o inesperado acontece
Quando o pudor se esvai
Quando as palavras se soltam
Há dias em que as emoções correm ao sabor de uma montanha russa
Há dias em que os picos...
Há dias em que apetece e apetece ainda mais e quase se deseja e deseja ainda mais
Há dias em que se navega ao sabor da vontade e esta nos leva céu afora num voo sem regresso
Há dias em que quero e desejo e sonho e sinto e espero e sorrio e desejo ainda mais e irrequieto-me e desafogo-me e desavenho-me.......
Há dias em que os conceitos e as palavras e os sonhos e os desejos e as emoções...
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Há dias assim... #38
Corpo, Mente, Espírito, Alma. Há pequenos quês que nos tocam de forma diversa. Fazem-nos viajar no sonho. A Alma e a sua paz, ou o Espírito que se deixa transbordar. Momentos, gestos, palavras, a música da Maria Rita que está a tocar. A caneca de café com leite e uma colher de mel. Decisões, Escolhas, e o não decidir nem escolher. O sol que faz e o que aquece. Corpo quente. Mente Serena. Espírito em Paz. Alma Cheia. Sã pequenos quês que provocam sensações físicas. A eterna questão do prazer. A eterna dúvida do saber. Há dias em que quase me sinto apaixonada... Há dias em que o prazer físico de um certo quê me leva nas nuvens, em viagem serena, rápida, plena de emoções. Há dias em que o chá ganha outro sabor, a música da Maria Rita outro som, a paisagem verde à minha frente outra luz, o ar que me vem da Calada outro cheiro. Há dias em que mesmo que tente fugir, os pequenos quês me perseguem e estão em todo o lado. Na folha seca da videira que reflecte um raio de sol. Na gaivota que plana onde sempre planou. Nos diferentes tons de verde que se estendem da janela até ao mar... Há dias em que tudo vale a pena e a alma jamais será pequena. Há dias assim...
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Há dias assim... #37
Não é o pior cego aquele que não quer ver?!?!?!
Por vezes a verdade está mesmo à nossa frente e parece que não queremos crer...
Quando a verdade é inegável e nos custa aceitar...
Quando engolimos em seco após a constatação dos factos...
Quando de repente tudo ganha a lógica que não queríamos perceber...
Há dias em que a ignorância seria preferível...
Há dias em que acordamos de um sonho que nunca foi...
Há dias em que sangramos por dentro e mantemos o sorriso... um sorriso forçado, trabalhado, desumano... desonesto principalmente com o eu que chora...
Há dias em que só queria voltar costas... puxar o edredon para cima e tapar a cabeça...
Há dias assim...
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Há dias assim... #36
Estou parada diante do teclado...
Sinto que algo está prestes a jorrar...
As emoções andam ao rubro e não sei explicar o que sinto...
Não sei saber o que sinto...
Não sei sentir que sinto...
Será que sinto ou é ilusão?
O que é o sentir?Sentimos quando dormimos?
Sentimos quando nos fechamos para dentro de nós próprios e nos isolamos do mundo, dos outros, dos que importam e dos que importam ainda mais?
Quero falar, quero gritar ao mundo, mas algo me impede.
Quero ceder ao que sinto mas a razão agarra-me...
Quero fazer o disparate, mas algo me prende...
Quando não está nas nossas mãos, o que fazemos?
Quando a estrada que percorremos está cheia de névoa e não vemos por onde andamos, para onde vamos, onde estamos... o que fazemos?
Será melhor parar e aguardar que a névoa passe?
Aguardo por algo que me guie?
Viro costas e volto atrás, percorrendo de volta um caminho que já conheço, para então voltar a fazer no sentido certo, sabe-se lá porque razão, ou motivação, ou...
Sinto-me perdida na minha própria estrada...
Não entendo... À minha volta tudo é estranho, tudo se adensa, tudo se desfigura...
Não mais me sinto enquadrada, mas logo depois sinto que estou na minha estrada, que é casa, refúgio, abrigo, aconchego...
Há dias em que não e logo a seguir sim...
Há dias em que em frente e depois de marcha atrás...
Há dias em que branco seguido de preto...
E o cinzento... Esse nevoeiro denso que não é carne nem peixe, que não é água nem vinho, que não anda nem deixa andar...
A dúvida...
Há dias em que a dúvida queima a pele, causa alergia, dá urticária... sensação física, muito física...
Há dias em que voltaria atrás mas só desejo que avance rápido...
Há dias em que não saber o que quero é o pior remédio...
Há dias em que a indecisão vai consumindo cada gota de energia, por dentro...
Há dias em que daria murros em saco de boxe, mas só desejo um mimo, um abraço, um beijo, um carinho...
Há dias em que o que sinto me irrita profundamente e tento racionalizar tudo, o mais possível, ao máximo, dar lógica ao que não tem, atribuir um sentido ao que nunca teve...
Há dias em que me sinto perdida dentro de mim mesma...
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Há dias assim... #35
Faz-me lembrar uma bola de pêlo... às voltas, às voltas dentro do estômago.
Mói e remoi, e gira e volta a girar e dispara o coração e fá-lo parar, e tipo montanha russa anda pa cima e pa baixo...
Coisas que se sentem e sentem a sentir
Coisas que se ouvem e lêem a ver
Coisas que não se vêem e sentem a ouvir
Coisas que se desejam e não se têm
Coisas que se têm e não se desejam
Há dias em que as emoções fluem por entre os poros...
Há dias em que o arrepio corre por entre os pêlos dos braços...
Há dias em que o desejo se sente no mais recôndito canto da alma!
Perceber!
Entender!
Apreender!
E longe... muito longe da lógica, do entendimento, do senso...
Ficar na dúvida, imaginar, esperar, aguardar...
Há dias em que o telefone não toca...
Há dias em que a novidade não surge...
Há dias em que o céu não se move, o sol não brilha, a lua não nasce...
E a falta de contacto...
A falta de um abraço apertado e honesto...
A falta de um olhar cúmplice e entendedor...
Há dias em que o corpo pede freneticamente o tal do xicoração...
Há dias em que a alma desespera por um olhar íntimo...
Há dias em que um mimo imperceptível alimentaria as necessidades mais exigentes do coração...
Há dias em que bastava um gesto...
Há dias em que se fica na dúvida, não se percebe, não se compreende...
Há dias em que se sente mais que nos outros...
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Há dias assim... #34
Há dias em que só se sente, só se pensa, só se ouve, só se fica...
Não saem, não crescem, não ganham forma, não se exprimem...
Há dias em que as palavras não se materializam e apenas os conceitos e ideias e sentimentos e emoções e desejos navegam ao sabor do vento da vontade do querer do ser do sentir do prazer do sorrir...
Há dias em que as palavras não chegam e como tal mais vale ficar...
Há dias em que algo deveria fluir, mas não se levanta para andar...
Há dias em que só isto e tudo o mais...
Há dias assim...
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Há dias assim... #33
Ao acordar um pensamento... e daí toda uma dinâmica decorre. Vagueia de lembrança em lembrança; de pensamento em pensamento; de ideia em ideia... e de tal forma o meu pensamento flui que nem reparo que estou a magicar algo impossível, impensável, inimaginável, quase inadmissível. Caio em mim, percebo que me deixei ir pela ideia sem me condicionar pela realidade, pelos acontecimentos recentes, pelo inevitável, o inegável, o irreversível...
Caio em mim. Apercebo-me da aberração do pensamento, viajo brevemente no tempo e paro naquele que foi um dos mais sofridos dias da minha vida.
Choro!
Choro sem lágrimas primeiro.
Choro pela perda.
Choro pela dor, pela falta, pela saudade, pela injustiça, choro...
E choro pela lembrança. Agra já choro com lágrimas e sinto-me injustiçada. Sinto que não é ético. Penso que não houve correcção para comigo. Não me deixaram ganhar fôlego para enfrentar tudo. Simplesmente, ao toque de um telefone, me vi obrigada a enfrentar tudo. Primeiro com coragem, fazendo o que era necessário, dando a notícia a quem de direito, confortando quem necessitava... meio adormecida, como aliás, sempre faço. Faço tudo o que há a fazer, trato do que há a tratar e quando os outros começam a reagir, então aí já me concedo o tempo e o direito de parar e perceber o que estou a sentir.
E então choro!
Há imagens que me acompanharão para o resto da vida. E não são belas fotos do entardecer à beira-mar. São fotos chocantes, pouco bonitas, quase impróprias. Proibidas. Mas estão comigo...
Há dias em que o acordar é de uma violência inusitada! Apetece fazer stop e
rewind para que o despertador volte a tocar e tudo se passe de forma diferente.
Há dias em que o pensamento corre a uma velocidade estonteante. Sem que o consigamos parar, sem que demos por isso, acabamos na beira de um abismo, em alto mar em noite de tempestade sem luar, no meio de selva cerrada sem bússola, ou sol que nos dê o norte.
Há dias em que a realidade nos cai no colo com uma violência desmesurada. Até já se sabia, até já se tinha falado no assunto, até já se tinha chorado e partilhado a dor, mas não era real, não havia sangue nas lágrimas, não havia a fatalidade do nunca mais...
O choro é a purga dos males da alma... Mas há males que exigem mais lágrimas, maiores lágrimas, lágrimas mais profundas... Há choros que não se ouvem, não se mostram, não se partilham... Apenas uma ou outra lágrima que cai face abaixo e leva consigo mais uma ínfima parte desta dor.
Quantas lágrimas serão precisas?
Há dias em que o que já estava à nossa frente resolve esmurrar-nos, abanar-nos, como que nos trazer de volta para uma dura realidade de que fugimos sem que se dê por isso.
Não falar, não implica não pensar... implica não purgar!
Há dias em que o pus brota de uma ferida tão infectada que exige intervenção urgente sob pena de que o mal se espalhe. Gangrene...
Há dias em que o choro e as palavras começam a tirar a crosta de uma ferida que parecia sarar apenas à superfície.
Há dias em que um passo atrás é apenas uma fase de um processo que terá muitos e muitos passos em frente...
Há dias assim...
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Há dias assim... #32
No fundo já se sabia... quem dizer, não havia muito por onde ter dúvidas... Havia os indícios e os sinais e os olhares... mas...
Sempre mas, a dúvida, será??? Será que??? Querá que é??? Será que é mesmo???
Mas quando o que sabemos passa para as palavras... Palavras daquelas que têm letras e sons... que têm as letras todas... daquelas que todas juntas formam uma frase... e a frase até tem sentido e soa bem, e é daquelas que quase se podia cantar...
Tudo treme!
Será um tremor de terra?
Deve ser fraqueza... Já não como há imenso tempo... mínimo umas... meia hora...
E continua a tremer. De forma consistente e contínua...
E as palavras lá estão! Não desaparecem... Parecem ganhar força a cada revisita...
Não passa o tremor... e mais palavras... daquelas que fogem ao assunto e fingem indiferença... mas, porquê indiferença? Porque não anuir? Porquê tremer e correr em marcha atrás?
Há dias em que as palavras quebram o encanto.
Matam as dúvidas se é que tinham vida...
Há dias em que silêncio diz mais do que mil palavras...
Há dias em que os sorrisos deixam de ser cúmplices para passar a comprometidos...
E de repente um calor imenso na face... Houve um olhar cruzado, um sorriso tímido cheio de palavras não ditas, não ouvidas, não pronunciadas, não soletradas, não escritas... Palavras sem letras, sem cor, sem luz... Palavras cheias de sentido e de mensagem... Será que alguém notou?
Há dias em que no ar pairam balões de BD cheios de mensagens únicas e irrepetíveis e nossas e não partilhadas e...
Há dias em que um descodificador de balões de BD nos levariam a olhar chão... ou o ar em busca de cumplicidade...
Há dias em que o que se passa não se vê não se ouve não se sente não se testemunha não se comenta não se cobra... mas passa e apenas entre nós se passa...
Há dias em que um conceito ganha forma, mas continua a gerar uma quase repulsa, uma quase negação, uma quase desconstrução...
E o conflito é grande, mas aquilo que se sente começa a ser maior...
Há dias em que palavras surgem de novo na nossa boca, no nosso léxico...
Em que não sabemos o que pensar, como fazer, como dizer, como ouvir...
Há dias em que desaprendemos tudo e tudo sabemos, com a sabedoria de quem finalmente ouve a voz de dentro...
Há dias em que o conflito é por demais evidente e chama a atenção de quem tão bem nos sabe e nos diz Sê Feliz!!!
Há dias em que me apetece ser Feliz!!!
Há dias assim...
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Há dias assim... #31
As palavras saem soltas e sem sentido.
Podia apenas teclar sem destino e depois ver o resultado, mas resolveu deixar fluir o pensamento através dos dedos. Tac Tac Tac Tac, as unhas meias partidas de tanto teclar continuam a produzir um som quase metálico, inconfundível, identificável à distância.
Será que é sexy o barulho da unha a bater nas teclas do portátil?
O que é e deixa de ser sexy é sempre relativo...
Depende de quem aprecia, depende do que é apreciado... e o próprio conceito daria pano para mangas...
Teve um dia complicado. É difícil gerir emoções. Não as dos outros... essas, cada um que lide com as suas... Já é suficientemente difícil dar conta do que é próprio quanto mais ainda andar a pensar no alheio...
Mas os pensamentos fluem de núvem em núvem, sem sentido, e sem destino, sempre com um pano de fundo...
Há sorrisos que transportam mensagem que nem o toque consegue traduzir...
E os olhares... Esses... Os mesmos de sempre... Até já chateia, parece que não há nada de novo... Acaba sempre por se prender pelo mesmo.
Uma gargalhada bem dada, um olhar mais profundo seguido de um largo sorriso, um piada mais atrevida e uma conversa mais íntima...
Os dias correm e nada de emocionante salta à vista... Parece que continua no carril de sempre, sem curvas, sem altos e baixos, sem paragens ou apeadeiros...
Mas parece... apenas parece.
Porque há dias em que as emoções fervilham cá dentro e nem o pipo ajuda a pressão a fugir...
Há dias em que as feições não se alteram...
Há dias em que mais parece que se corre quando não se sai do mesmíssimo lugar...
O que sentimos não se descreve, não se conta, não se partilha...
Pelo menos não com palavras... as palavras não chegam. Não são gordas o suficiente para abraçar conceito... Mas o conceito também é uma palavra...
Há dias em que nada faz sentido, pelo menos quando se abre a boca.
Saem disparates e no entanto o que se transmitiu foi feito na perfeição...
Há dias em que falamos uma língua nova... inventada por nós e não partilhada com vivalma...
Há dias em que por muito que falemos, por muito que olhemos, por muito que toquemos... não chega...
Não sai tudo....
Há dias em que o que cá fervilha não arderá em mais nenhum tacho...
Há dias em que o fogo não seria necessário para alimentar mais o que quer que fosse...
Há dias em que as emoçõe queimam... e ardem... quase se cheiram...
Há dias em que tudo isto e mesmo assim nada...
Há dias em que ao lado nada é o que se vê, quando para aqui se olha...
Há dias assim...
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Há dias assim... #30
Frente a uma tela branca a obra surge...
Frente a um teclado imaculado os dedos deslizam e ou ouvidos deleitam-se...
A criação é um processo misterioso, quase místico... Nada metódico ou rotineiro. Quase temperamental...
E quando observamos, ouvimos a obra, as emoções... Sempre as emoções. Hoje e sempre as emoções...
Quando o coração se amacia, as emoções fluem.
Quando os tabus se quebram, os sentimentos tomam forma...
Quando algo nos toca a alma, o coração, a pele arrepia-se...
E o que nos emociona hoje, amanhã pode ser a maior trivialidade.
Há dias em que o normal nos faz exultar de alegria...
Há dias em que o coração se amacia e se deixa tocar pelo trivial...
Há dias em que o trivial passa a ser especial e os pêlos eriçados deixam fluir uma energia desconhecida.
Há dias em que simples expressões despertam energias desconhecidas... e a barriga revolta-se e há suores frios e sorrisos sem sentido e pêlos em pé e...
E há dias em que a falta de uma simples expressão nos torna amargos e ásperos.
Habituamo-nos com demasiada facilidade ao que nos faz sentir de forma diferente o que há muito é tão trivial...
Há dias em que a incapacidade de lidar com o mundano é inequívoca.
Há dias em que o normal gera uma irritação inexplicável.
Há dias em que a falta de algo gera desespero.
Uma expressão, uma simples expressão...
Há dias em que uma simples expressão nos faz sentir o mar revolto que se agita cá dentro.
Há dias em que uma lembrança nos faz sorrir como há muito não...
Há dias em que revisitar um olhar nos inebria mais que mil garrafas do melhor tinto alentejano...
Há dias em que as emoções fluem e houvesse com que as alimentar...
Há dias em que energias novas se produzem e houvesse com que as produzir...
Há dias em que sentimentos se revisitam e houvesse com que os encarar...
Há dias...
Há dias assim...
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Há dias assim... #29
Por vezes as emoções baralham-se...
Por detrás de um sorriso esconde-se uma lágrima.
Por detrás de um alegre convívio está um olhar triste e vazio.
Por vezes os sentimentos também se confundem...
Ou queremos confundi-los...
Ou queremos que apareçam encapotados... escondidos... disfarçados...
Por vezes o que por cá se passa não se traduz em palavras...
Um olhar mais atento...
Um ouvido mais disponível...
Uma mão mais discreta...
Quem quer reparar, repara! Mas é tão mais fácil deixar seguir. Não levantar poeira, deixa fluir, não perguntar, não incitar, não encorajar...
Por vezes as emoções baralham-se...
Não é hábito fazer-se publicidade. Mas não faria mal que a subtileza da mensagem não se perdesse no ar... Não faria mossa se a poeira levantasse um pouco... Não faria mal que o fluxo não fosse tão aparentemente regular e previsível...
Há dias em que um olhar faria a diferença...
Há dias em que uma palavra criaria alento...
Há dias em que um gesto confortaria mais que o chão sem poeira...
Mas enquanto tudo corre e ninguém tropeça, e a vida avança e não há retrocessos, e todos seguimos em frente e ninguém se sobressalta... enquanto a normalidade se mantém, o descanso permanece... Afinal a poeira assentou e vê-se a linha do horizonte...
Há dias em que remexer na velha mala do sótão pode trazer surpresas agradáveis...
Há dias em que as arrumações fariam todo o sentido e deixariam tudo mais livre e limpo...
E há dias em que a angústia cresce a cada inspirar... em que o rebentar é iminente e aí sim... aí a poeira seria imensa...
Há dias em que apetece deitar tudo para fora para depois arrumar nos sítios certos. Limpar o pó, folhear os livros, descobrir cartas passadas, compor os brinquedos antigos...
Há dias em que apesar da vontade e da energia e da motivação... não está nas nossas mãos e não temos outro remédio senão aceitar. Encafuar para dentro da velha arca onde cabe sempre mais qualquer coisa...
Há dias em que não se vai remexer, porque não... apesar de uma infinda vontade de revolução...
Há dias em que a consciência acorda e apreende os erros... mas nada se remedeia de um dia para o outro...
Há dias em que a impotência cresce perante a vontade de remexer numa arca atafulhada de poeira e outras tralhas...
Há dias em que um olhar bastaria...
Há dias assim...
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Há dias assim... #28
Ciclos..
Daqueles redondos. Dos que se fecham e acabam... ou não mais acabam e continuam sempre à volta à volta à volta...
Há coisas com princípio e fim...
E há as expectativas...
E os segredos e os desabafos e as vontades e os caprichos...
Há coisas que vão e que vêm de volta e que no caminho crescem desmesuradamente e quando voltam estão irreconhecíveis e desfiguradas e causam transtorno porque não mais se reconhece o que em tempos foi tão familiar...
E há coisas que vão e que não vêm...
E o pensamento que voa e voa e voa... e de repente uma palavra traz-nos de volta e obriga-nos a bater no chão com uma força imensa que gera lucidez de pensamento e dor de alma e estranheza de corpo e subtileza de olhares...
Há dias em que tudo faz sentido e logo depois tudo o perde...
E há dias em que as certezas não mais o são e a violência do vazio procria sonhos cheios de nada...
Há dias em que a mudança é necessária, mas efémera e virtual e longínqua e...
E os ciclos...
Ciclos que se fecham; ciclos que se cruzam; ciclos que se chegam sem jamais se tocarem...
Ciclos redondos que nos trazem ao início... não necessariamente ao princípio, ou ao começo... pode ser um início ali ao lado, sem que seja necessariamente um regresso às origens...
Há dias em que apetece gritar ao mundo a vontade de mudança.
Há dias em que a necessidade de algo novo, motivador, acolhedor, desafiador... produz brilho... Brilho de alma, brilho de olhar, brilho de aura até...
Há dias em que o mais simples faria a diferença, mas não somos capazes de simplicidade!
A simplicidade de um sorriso, de um olhar, de um toque suave e cúmplice...
Há dias em que o todo é nada e zero é tudo!
Há dias em que há um turbilhão cá dentro e nada é inerte, nada se queda, nada se estabiliza...
Há dias em que só queria... mas o só é nada e o nada tudo e o tudo zero e o zero apenas...
Há dias em que...
Há dias assim...
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Há dias assim... #27
Às vezes as palavras não fluem...
Apenas as imagens!
Guardadas nos confins do baú das memórias...
Impressas num pedaço de papel brilhante...
Resgatadas numa história hilariante...
Às vezes as palavras não chegam...
Apenas o silêncio! E o sentimento! A emoção! O olhar!
O vácuo de palavras...
A noite de Lua nova das expressões...
O todo de significado...
Às vezes as palavras não falam...
Não comunicam, não expressam, não traduzem...
Há dias em que o discurso nada diz, e as ideias não se apreendem.
Há dias em que a memória rebusca nos confins das sensações, emoções há muito escondidas e ignoradas, trazendo ao de cimo sentimentos que se cruzam.
Por um lado o saudosismo e o sorriso; por outro a mágoa e a saudade...
Há dias em que falar não chega...
Há dias em que as palavras fluem discurso adentro e nenhum peso carregam...
Nada acrescentam...
Nada explicam ou explicitam...
Há dias em que a memória se constrói no futuro e se projecta ao longo dos tempo...
Há dias em que a nostalgia toma conta do sentir... e do ser e do agir e do pensar e... do sentir...
E há dias em que o desconhecido e inexplicado se revelam em frente dos nossos olhos e de repente tudo se torna ainda mais confuso...
E o sentir, e o falar, e o olhar, e o tocar, e o partilhar...
O dividir!
E o nada disso...
Há dias em que a ausência ganha espaço e domina o ser...
Há dias em que o sentido se perde e se quer partir do zero, mas...
Não há zero! Apenas algo depois... E o depois se quer esquecer, apagar, ignorar...
E há dias em que há um caminho à nossa frente pronto para ser percorrido, mas há algo que nos faz virar mais uma vez o olhar...
E há dias em que o primeiro passo é impossível... o peso do pé torna-se insuportável e não há forma de abandonar o estático, o inerte, o involutivo...
Há dias em que as palavras não chegam, e os olhares não falam, e o toque não sente...
Há dias em que um vidro transparente que tudo deixa ver e alcançar, não é derrubável, ou ultrapassável. Não deixa percepcionar ou sentir. Apenas ver... sem lá chegar...
Há dias em que está tudo a um passo a um esticar de mão, aqui ao lado... Quase se sente, quase se vive, quase se cheira...
Há dias assim...
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Há dias assim... #26
Uma palavra...
Um momento...
Uma surpresa...
E toda a segurança se desvanece e vai por água abaixo e deixa as pernas a tremer e põe em causa a certeza inabalável...
Uma palavra... Mais que uma soma de letras... Oh!!! Muito mais!!! Uma palavra... um conceito, uma ideia, uma mensagem...
E outra palavra... e outra... e outra surpresa e o inesperado e a emoção e a incerteza e um sorriso...
Aaaahhh!!! E o olhar!!! O olhar, essa eterna punhalada nas costas que sem aviso, ataca... sem dó nem piedade, sem contemplações...
Há dias em que um simples olhar deita por terra toda e qualquer postura...
Há dias em que as palavras ganham outro ritmo, outro som, outro cheiro...
Uma palavra que surge do vácuo, de onde nada se esperava... pelo menos não assim. Pelo menos não agora. Pelo menos não com esse olhar... Pelo menos não com essa postura desconcertante, desconcertada, inofensiva, ameaçadora da integridade das emoções mais inocentes... de um inocente...
Há dias em que o gesto tem outro calor, tem outro olhar na sensibilidade do toque suave, quase inexistente...
Há dias em que o toque não o chega a ser... mas a distância é tão parca que se sente a presença. Sente-se o calor. Sente-se o desejo, a vontade...
Há dias em que o quase que é preenche bem mais do que o que poderia ser...
E não há toque. A distância das peles é mínima. O ar não passa... Entre elas, apenas se consegue identificar o desejo... um desejo discreto, suave, lânguido, quente...
Há dias em que as mãos ganham vida...
Há dias em que os dedos passeiam discreta e suavemente pela pele alheia...
Há dias em que a serenidade arrebata a pele, o toque, o desejo...
Há dias em que uma palavra, um olhar, um toque... perdão, um quase toque, que não chega a ser, não chega a parecer, não chega a mostrar-se...
Há dias em que basta ser, basta estar, basta..., e as palavras fluem nos olhares, o toque arrepia um suspiro e o medo toma conta da energia corporal...
Há dias em que o tempo para e tudo continua à nossa volta e algo permanece... suspenso no ar... um cheiro...
Há dias em que os sentidos despertam com sensibilidade mais apurada e gerem emoções de forma muito mais intensa...
Há dias em que as palavras fluem sem sentido mas com conteúdo até mais não.... e saiem e saiem e saiem e saiem...
E fluem, e fluem e fluem e fluem
Há dias em que não têm sentido mas tudo dizem e nada duvidam e acariciam a pele...
O toque duma palavra, o cheiro de um olhar...
Há dias assim...
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