segunda-feira, setembro 15, 2008

Há dias assim... #43

Pelo ouvido entra um som suave e meigo...
Rodam esporadicamente as músicas, sempre no mesmo estilo.
Serenam-me o espírito turvo de emoções demasiadas e descomedidas.
Trnasmitem uma paz interior que não reina no meu peito.
Remar contra a maré. Jamais parar, apesar da força da corrente. Sempre remar... mesmo para lá do limite das minhas forças. E quando penso que não consigo mais... mesmo assim continuar. Contra todas as expectativas, remar, sempre remar...
Há dias em que a força é de tal forma intensa que os braços não respondem ao esforço.
Tremem da força contínua que empregam...
Sabe-se que parar ou esmorecer seria fatal.
Há dias em que perceber a diferença entre o querer e o dever é por demais doloroso.
Há dias em que se chora agora para não depois.
Há dias em que um alento menor sorri como maior e me impele ao dever contrário ao querer.
Há dias em que um coração sangra de dor e sorri de satisfação, de esperança, de alegria, de estímulo...
Há dias em que perceber e não perceber se tornam cada vez mais cinzentos, saber e não saber, querer e não querer, dever e não dever...
Sei o que devo fazer e fa-lo-ei. Doer-me-á horrores, mas fá-lo-ei... Porque também sei que essa dor é necessária a um renascimento, a um novo olhar, a um novo sorriso.
Terei o meu luto e renascerei. Sei-o agora melhor que nunca.
Há dias em que o nevoeiro se levanta e tudo começa a ser mais nítido. Estarei pronta quando chegar o momento de brilhar o sol...
Há dias em que se sente na pele o ligeiro calor dos raios que virão... Estímulo...
Há dias em que o marulhar das ondas se suaviza e parece eternizar-se...
Há dias em que o cheiro a terra molhada...
Dias em que o cheiro a mar...
Dias em que o cheiro a relva acabada de cortar...
Há dias assim...

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