domingo, dezembro 14, 2008

Porque...

Porque às vezes basta uma palavra...
Porque nem sempre é preciso preparar o discurso
Porque espontaneidade é tudo...
E o inesperado gera sorrisos genuínos
E o sincero e honesto é tudo
Porque como sempre se disse, a razão tem razões que a própria razão desconhece
Porque nem tudo se entende, contextualiza, explica, transmite...
Porque o tempo até pode parar e esperar pelo que está certo
E os olhares que se cruzam dizem muito mais que poemas, discursos ou romances...
Porque a presença não tem que ser sempre física
Porque a partilha é de muito mais que alma
Porque tudo é demais para se conter num peito...

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sexta-feira, dezembro 12, 2008

Em crescendo...

Sento-me e olho o horizonte. Não o espacial, mas o temporal. Sinto que apesar de honesta comigo, não o sou com a minha felicidade. As escolhas de outrora condicionam-me as capacidades de agora. De agir e reagir. De viver sem demais ponderar. Do coerente no tempo e no discurso. Assumir algo verbalmente é sempre um grande passo, quando o objecto de análise somos nós própios e as nossas capacidades, expectativas, desejos... E o que é um desejo? Imutável? Conciso? O desejo pode ser um, hoje, e outro completamente diferente amanhã?
Racionaliza... mas não no momento certo, não na medida certa. Soltar amarras, desfazer nós, decifrar códigos. Não verbalizar o desejo. Camuflá-lo! Disfarçá-lo! Vesti-lo de roupagens obscuras, desconhecidas, emsombradas... Explicar sem o fazer, desvendar sem revelar. Ponderar, matutar, matematizar quando o sensato seria apenas viver e usufruir...

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quinta-feira, dezembro 11, 2008

Um som que chega do nada...

Do nada, um som...
Imagens, recordações...
Calor, conforto, aconchego
Talvez cheiros até...
Uma letra com mais mensagem do que se esperava,
Uma melodia que amacia o corpo
Movimentos redondos ao sabor do batimento
Emoções verdadeiras e genuínas
Momentos inesperados e saborosos...

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Ao sabor...

Ao sabor do sol o pensamento flui
Recordo e sorrio à emoção que lembro
Ao serão confusão, emoção, contemplação
E um desejo de revelação... paz...

Ao sabor da lua o meu peito navega
Aperta-se e voa ao sabor da cadente
De longe quero-te e desejo-te sem te privar
E um ensejo de emoção... medo...

Não deixes de ser teu mesmo que ofereças o céu
Não deixes de te buscar mesmo na entrega sem hesitar

Emoção que dispara o batimento
Coração que acalma o sentimento

Sinto e não sei o que é sentir
Quero sem saber o que é querer
Anseio sem saber o que é partilhar
Cresço sem saber o que é caminhar

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sexta-feira, dezembro 05, 2008

sei e não sei...

Sim, é um facto: penso em ti! Mais do que deveria; mais do que me deveria permitir.
Não te sei explicar porquê. Talvez não queira saber porquê.
Não sei que tens que me prende. Muito menos sei que tens que te prende.
Não te conheço. Não te tenho. Não te sinto. Não te estranho nem entranho. Não te absorvo. Não te alimento o espírito, a alma, a fantasia, o desejo, a esperança... as energias que tens, precisas, procuras...
A música diz que não sei o que quero. Também não o sabes... Então porquê perguntar? Dentro do meu mundo não te tenho falta. Fora das minhas 4 paredes só fazes sentido...
Não sei o que digo. Não sei o que penso, sinto, quero, desejo... Não te sei feliz nem esperançoso. O teu olhar procura desejo, procura estímulo, procura entendimento, liberdade, sonho.
Não sei o que queres ou precisas. Sei-te insatisfeito... Insuficiente... E às vezes gostava de ter nas mãos a responsabilidade dessa árdua tarefa.
Jamais te ofereceria o que não posso dar. Em dias como o de hoje oferecer-te-ía a capacidade de sorrir. Do nada. Para o nada. Porque sim e porque não. Pouco! poderão apontar. Imensamente muito! atrever-me-ía a ripostar; muito para quem esqueceu essa capacidade, a magia... do sorrir com o olhar.
Não sei o que quero. Nem o sabes tu. Então porquê perguntar? Apenas sei que por vezes gostaria de te dar (muito) mais...

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sábado, outubro 04, 2008

Amanhecer...

Acordou por si. Depois de 8h de um sono solto e reparador, nada mais a havia trazido à consciência senão o bastar. As crianças do andar de baixo não haviam feito barulho; o vizinho de cima não tinha lavado a varanda nem arrastado móveis... Nada! O sol brilhava e a sua luz entrava pelas pequenas frestas do estore, deixando antever aquele belo dia de Outono.
Levantou-se com um sorriso no olhar e cheia de energia para os projectos do dia. Ainda pensou que eram coisas que não gostava de fazer e que se pudesse bem que as passaria a outrém. Mas não perdeu com este pensamento mais que um momento. Ultimamente, sem saber explicar porquê, gostava de encher de água o seu jarro verde e regar alegremente as plantas. Eram a prova de que projectos sensatos, com o devido empenho, só poderiam chegar a bom porto... Estavam bonitas e sentia-se orgulhosa. Sentiu vontade de se sentar frente às colunas de onde saíam tons melosos e desenhar numa folha em branco, este sorriso que extravazava o seu corpo.
Ía ao sabor da maré, e se por vezes a corrente era forte e a deixava com medos e tonturas, outras, era aquele embalar doce e suave que lhe arrancava sorrisos genuínos e gargalhadas infantis...

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domingo, setembro 28, 2008

As pessoas não mudam...

Diz-se das gentes que não mudam... Que podem até suavizar-se, limar arestas, mas a essência... essa estará sempre lá.
E os ciclos? Como encaixamos aqui os ciclos? As fases... Os períodos, as épocas... Será essa essência sensível a ciclos? Ou serão os ciclos a demonstração desse tal limar de arestas?
Temos sempre as mesmas necessidades? Queremos eternamente o mesmo? Satisfazemo-nos com as mesmas sensações e emoções?
Há quem fale em ciclos de 7 anos e que as grandes reviravoltas nas nossas vidas são pautadas por estes intervalos... Believe it or not, houve pelo menos uma grande mudança na minha vida que coincidiu com um desses "virar de esquina"...
What about now? Bom, não estou no "virar de outra esquina"... Para isso faltariam ainda, quase 3 anos... De acordo com a teoria, sabedoria popular, superstição ou whatever... But something's changing!!! And that's for sure!!!
Tremeliques, insegurança, medo, insuficiência, desconhecido, curiosidade... até atitudes menos racionais e percebidas ou explicadas... Tudo isso faz parte da receita...

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sábado, setembro 20, 2008

Chuva de Outono

Caiem as primeiras gotas de água a anunciar o Outono. Se outrora estes seriam sinais de uma época menos interessante, menos estimulante, agora anunciam recomeços, novos ciclos, desafios, recolhimento, ideias que se alinham. Preciso do calor, mas gosto de me sentar a ver a chuva cair, ouvir boa música, ler palavras que me estimulam os sentidos. Gosto! Paz de espírito. Relaxation! O saber e constatar que tudo está por fazer. Que será longa a caminhada. Que será árduo o trabalho. Dentro do túnel ouço a chuva. Lá ao fundo o que parece ser um ponto de luz...

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sábado, setembro 13, 2008

Believe - K's Choice



Bravely I look further than I see
Knowing things I know I cannot be, not now
I'm so aware of where I am, but I don't know where that is
And there's something right in front of me and I

Touch the fingers of my hand
And I wonder if it's me
Holding on and on to Theories of prosperity
Someone who can promise me
I believe in me

Tomorrow I was nothing, yesterday I'll be
Time has fooled me into thinking it's a part of me
Nothing in this room but empty space
No me, no world, no mind, no face

Touch the fingers of my hand and tell me if it's me
Holding on and on to Love, what else is real
A religion that appeals to me, oh
I believe in me

Can you turn me off for just a second, please
Turn me into something faceless, weightless, mindless, homeless Vacuum state of peace

On and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me
On and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me

Wait for me, I'm nothing on my own
I'm willing to go on, but not alone, not now
I'm so aware of everything, but nothing seems for real and
As long as you're in front of me then I'll

I watch the fingers of our hands
And I'm grateful that it's me
Holding on and on and on and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me

I'm willing to go on but not alone, not now
I'm so aware of everything

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Ponto de Viragem

Há dias recebi um mail de um amigo com um post de uma amiga... "O Fardo da Solidão"... Se por si só, o conteúdo foi identificado com uma conversa de dias antes, há toques e retoques que me fogem mais ao sentimento de identificação. Sim, é um facto que sou uma solteira convicta e independente decididíssima. Sim, é verdade que também eu, trintinha solitária, apregoo as vantagens e o conforto de um estilo de vida baseado em decisões convictas e ponderadas. Ser uma gaija minimamente interessante, com casa própria, a construir carreira, não pensar em relações ditas estáveis, dizer que não quer ter filhos, ter amigos e amigas com quem se pode sempre trocar uns deditos de conversa, sair durante a semana para ouvir boa música e beber um copo de tinto... tudo isto é parte de um estilo de vida da trintinha solteira convicta. E convenhamos: é um estilo de vida com as suas facilidades... É confortável decidir a qualquer momento o que fazer e com quem, sem sequer se pensar se a outra pessoa lhe agrada o plano ou nem por isso... É fácil e confortável!!!
Mas depois há aqueles dias em que pela cabeça passam pensamentos menos ortodoxos "A falta de uns braços em volta dos meus ombros. De uma mão que me afague o cabelo. De um olhar reconfortante e meigo. De um silêncio partilhado. É em alturas assim que questiono opções e convicções..." Foi um pensamento partilhado num dia de angústias e questões... Questões que vão aparecendo de forma mais ou menos frequente... mas que vão marcando presença, até que um dia destes se tornam parte integrante do dia-a-dia...
Ao contrário do post que me foi enviado por este amigo, não é da partilha de tarefas nem da segurança que sinto falta. Não é de quem decida o que jantar, ou compre os bilhetes, não é da "muleta, de alguém que de vez em quando faça o que me compete a mim fazer, que me alivie a carga e as preocupações"... Não! Claro que se me mostrasse um CD desconhecido, me levasse a um filme inesperado, um jantar simpático, descontraído e ao mesmo tempo estimulante... Isso sim, isso arregala-me os olhos, espevita-me os sentidos. Não quero alívio na carga e nas preocupações. Mas não me importava de alguém que de quando em vez me ouvisse os desabafos. Que de quando em vez apenas quisesse enroscar-se no sofá a ver um bom filme. Que de quando em vez partilhasse comigo os silêncios. E como eu prezo os silêncios!!! Talvez por isso ainda me faça imensa comichão a ideia de alguém a vaguear-me pela casa, a colocar os copos no sítio errado, a deixar as luzes acesas qdo sai da sala, a não baixar a tampa da sanita... Sim, isso ainda me faz muita confusão. Talvez com o tempo passe. Talvez já tenha passado demasiado tempo, e as tais das convicções me condicionem a adaptabilidade, a flexibilidade, a tolerância... O que pretenderia seria um tudo de um nada, ou um quase nada de um tudo... Ou talvez esse quase nada fosse crescendo de forma tão discreta que eu nem desse conta... E um dia acordava e era feliz, partilhando a minha vida com alguém... Construir algo pelas próprias mãos e deixar que alguém entre pela obra adentro não acontece de um dia para o outro...
Sinto que estou numa espécie de cruzamento. Sei que andar para trás está fora de questão. o sentido é único e é sempre em frente. Está nevoeiro e não há placas de indicação. Não sei muito bem onde estou, nem para onde vou. Sei apenas que a estrada percorrida faz parte do passado, cada kilómetro percorrido está isso mesmo:percorrido. O caminho será outro. Estarei pronta para o percorrer? À primeira análise diria que sim. Pelo menos tenho a motivação. As dificuldades surgirão concerteza. Outra coisa não seria de esperar... Como vou lidar com elas e se estarei preparada ou se as conseguirei prever??? Não sei e duvido que alguém me consiga elucidar. Percorri um caminho por determinado tempo. Guardo dele as melhores paisagens, nascer e pôr-de-sol, chuva, calor, vento, neve... Em todas as condições o percorri. Como tal, esgota-se nesta estrada, o que haveria para apreciar e/ou explorar.
Outros caminhos se abrem na encruzilhada. E cá estou eu, em busca de uma brecha no nevoeiro, em busca de uma escolha minimamente elucidada...

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terça-feira, julho 15, 2008

Em busca da felicidade escondida!!!

Sim, acho que andou por aí um certo bloqueio...
Hoje foi quase garrafa... Mais de 3/4 seguramente e já há quem se queixe da minha tagarelice...
Não sei se já o referi, mas gosto de me sentir solta, leve... Não gosto do que me pesa o espírito. Não gosto do não dito, do não comentado, não gosto de reacções retraídas e contrariadas. Gosto de me sentir livre quando finalmente me sinto à vontade a dizer o que penso. Não que isso mude alguma coisa... Não seria tão presunçosa. Gostaria, claro! Mas não tenho tal presunção! No entanto, não perco a esperança. Não é de mim. Lamento! Lamento, mas não me calo... Posso até fugir, fingir... achar que não vale o esforço. Mas, meus queridos amigos, quando vos dou com o taco de baseball na cabeça, acreditem... é porque vos amo do fundinho do meu coração. Que o digam A e L... Levaram no totiço como gente grande. Sei que não sou fácil. Sei que não sou meiga. Sou directa. Bruta como diz a mãezinha... Sim, sou bruta! É um facto inegável... Mas quando o faço é já em quase desespero... Vou filtrando, avisando, mandando as minhas bocas e piadas... e às tantas salta-me a tampa: Mas que raio, está tótó de todo??? N vês que o que se passa é isto? Que merda!!! Cegueta!!! Irra!!! Essa malta brinca com a tua alma, com a tua leveza, com a tua quase ingenuidade e deixas-te manipular assim? Será que não consegues perceber que o que se passa é que andam a manipular-te? Andam a viver a tua vida por ti, my dear... porra!!! mas a vida é tua ou dessa gentinha? irra!!! Queres um desenho, é? Que gaita!!! Não tarda passo às asneira e isso não é bom!!! FDX!!!
Bom, mas depois da fúria vem uma espécie de bonança e reparo que o que me enchia a alma e o espírito se calhar até nem era meu... podia ser... assim meio que paralelamente... talvez até seja... e a resolução dos meus quês também poderá passar por dizer o que aqui estava entalado... A e L, perdoem-me a quase frieza, mas ver-vos assim nesse marasmo, nessa quase não-vida, nesse chove não molha que não leva ninguém a lado nenhum... a modos que me lembra alguem... assim meio preso a algo que não existia mas por que continuava a lutar. É fodido quando acreditamos em algo com todas as nossas forças... É do caralho quando as palas nos lhos se fecham e não queremos ver para além de... Claro que não tenho a presunção de vos livrar das palas. Por mim mesma, sei que ninguém mais o pode fazer a não ser nós próprios... Mas se ficar com a ilusão de que fiz um furinho por onde passe alguma luz... Façam-me a Amiga mais feliz à face da Terra e mostrem-me que sim... mostrem-me que conseguem ser um piriri egoístas... mostrem-me que gostam mais de vocês do que essas pessoas que pensam que gostam de vocês... Quem gosta não castra! Quem gosta não abafa! Quem gosta não sufoca... Quem gosta, alimenta, insitiga o sonho, alimenta o espírito e a alma. Quem gosta fomenta! Quem gosta gera sorrisos! Quem gosta surpreende! Quem gosta, faz crescer, faz viver... quase que alimenta o bater do coração... Quem gosta gosta simples. Quem gosta, gosta como és. Quem gosta não quer mudar. Quem gosta não manipula. Quem gosta, gosta bonito. Gosta simples. Gosta com sorriso. Gosta com o olhar. Gosta com um toque de mão, gosta agora e depois, gosta antes e depois, gosta quando estás bem e quando estás menos bem. Quem gosta quer-te fazer sorrir. Quem gosta proporciona-te a alegria da surpresa, do inesperado, do sonho para realizar... Quem gosta não te corta as pernas, não te inibe, não te impede o viver, o respirar, o sonhar, o viver... o bater mais forte de coração...
Quem gosta, gosta e pronto. E faz-te gostar de igual para igual. Em parceria, sem desafios, sem barreiras, sem constrangimentos, sem paralelismos, sem externalidades.
Quem gosta, gosta e mais nada!
E já agora, para se gostar de outrém, há SEMPRE que gostar de nós primeiro... Perdoem-me a brejeirice, A e L, mas "se eu não gostar de mim, quem gostará?"

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domingo, julho 13, 2008

Oeiras Alive

E eu estava lá...



:D


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sexta-feira, julho 11, 2008

AVISO À NAVEGAÇÃO!!!


BLOQUEIO DE ESCRITA!!!


Retomaremos a emissão assim que as condições técnicas no-lo permitirem...

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quarta-feira, junho 25, 2008

Porquê o amanhã hoje?

O céu estava azul de manhã...
Começava o dia com uma disposição sensacional. Olha a sempre bem disposta, chegou em tom de piropo. Ficou agradada com o comentário. Sorriu.
Tudo corria bem, as contingências não desagradavam... O não planeado, a surpresa, o inesperado agradavam mais que o calculado, o ponderado, o planeado... Gostava de surpresas. Gostava que fossem mais...
O sol brilhava e era Verão.
Ainda mais cedo havia a famosa nebulina. Mística. Com uma luz que quase cega. O reflexo no mar...
Era cedo, muito cedo e já tinha no corpo a sensação de alívio depois de o exercitar, depois de transpirar, depois de expurgar o que era supérfluo... O duche sabia pela vida!!! Deixava-se permanecer debaixo do jacto forte por meros segundos... E viajava... No tempo, no espaço... Pelo corpo.
Mais tarde um cheiro conhecido que se sentiu por acidente. A proximidade não estava calculada. Não era esperada. Arrepiou-se... Lembrou-se do dia anterior. Lembrou-se do que se tinha permitido sentir... Mais do que deixar-se levar pelas emoções, delirava ao deixar-se levar pelas sensações... Os sentidos. O toque, o olhar, um sorriso, o afagar do cabelo, o prazer em cada poro, em cada pedaço de pele, de corpo, de alma, um beijo meigo, outro sôfrego...
Sentia-se bem... mais bem do que feliz... Que isso da felicidade é uma coisa complicada... Será total e completa? Serão momentos? Achava que sim... e dizia-se feliz. A felicidade está nas pequenas coisas, nos momentos, nos sorrisos, nos olhares... nos dias como o de ontem... nos momentos mais simpáticos. Numa gargalhada solta e livre e genuína e verdadeira e esvoaçante... Como gostava de gargalhar! Parecia que rejeitava o que não queria encarar. Porque sofrer por antecipação? Não faz qualquer sentido! Seize the day!!! E o amanhã logo se vê... Como gostava de sentir o coração aos pulos. De retribuir sorrisos. De dizer um piropo vindo do nada... Uma provocação dissimulada em forma de olhar ou toque subtil... Os cenários negros nunca o são assim tanto... Porquê perder tempo a pensar nisso se as sensações à flor da pele lhe provocavam sorrisos e serenidade no fundo do estômago? Porquê pensar no que pode e não pode vir a acontecer, quando o que acontece é tão mais imediato e puro e real e... sente-se na pele... os pêlos eriçam-se...
Amanhã? Amanhã logo chegará... Mas hoje??? Hoje estava lá. E era ali que queria estar, era aquele o aorriso que queria desenhar, era aquele o mimo que queria... Era aquele o momento que queria sorver...
Irresponsável? Talvez... Achava que não. No fundo, sabia que as emoções por vezes voavam alto e levavam a um exacerbar nas palavras... Talvez tivesse exagerado... Foi forte... muito forte o que havia dito. Fruto da emoção do momento, é certo. Não deixava de ser verdade... Mas talvez mais matizado... Não sabia muito bem o que pensava, sentia ou queria... só sabia que gostava das sensações, dos olhares, dos toques, dos sorrisos, das palavras entredentes... de ver o prazer estampado no rosto, de se soltar ao sabor e vontade do prazer alheio... Gostava, estava serena e era feliz...

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quarta-feira, maio 28, 2008

Momentos...

Arrepiou-se! Talvez fosse o ar condicionado... Sempre descontrolado... Ora frio, ora calor. Nunca se sabia muito bem o que vestir...
Sabia-lhe bem sentir o toque suave do longo cabelo nas partes descobertas das suas costas... Nos ombros a céu aberto. Um decote simpático também deixava que uma ou outra madeixa lhe beijasse a pele. Gostava do toque.
Aliado ao toque uma memória olfativa... Quase podia imaginar-se noutro lugar.
Numa luta contra o próprio eu, tentava não se deixar levar pelas sensações... pelas emoções... Sabia que nenhuma delas alimentaria sentimentos, se levadas a extremos incalculados...
Pretendia ponderar... sempre agir com a razão... Mas era, no fundo, uma pessoa de emoções... E até gostava... Tal como sorrira de manhã cedo, ao receber o Bom Dia de um simpático pardal que cantarolava alegremente, gostava de sorrir do nada. Por um reflexo de raio solar. Por um cheiro de gaivota a planar. Por um olhar longínquo mas profundo. Por um toque de madeixa num peito desnudado.
Gostava de se saber emocional. Mas um pouco de razão não fazia mal... Um pouco mais de pensamento comedido pelo respeito pelo espaço de outrém... Gostava de sentir os picos de adrenalina, o coração a bater, o suor a espreitar, as mãos a tremer, pupilas a dilatar... Gostava! Sentia-se viva. Sentia-se humana. Sentia-se feliz... Gostava de repetir vezes sem conta que a felicidade se constrói das pequenas coisas. Sorria constantemente sem razão aparente. E esses sorrisos tornavam-na numa pessoa alegre, bem-disposta... "Sorriso sempre pronto", já lhe tinham dito. "Inspirador", também ouviu... "Obrigas a que te sorriam de volta"...
Era algo natural. Como tudo o que fazia... Levada pelas tais das emoções que às vezes gostava de controlar um pouco mais, era considerada uma pessoa espontânea...
Gostava de ser emocional, de sorrir sem razão, de fazer elogios inesperados, de abraçar... Gostava! Gostava de gerar sorrisos em lábios alheios. De ver os olhos brilhar. De sentir emoção no ar.... Gostava!
Gostaria também, de quando em vez, de estar certa do seu espaço... De não se sentir imensa. Demasiado. Gostava! Gostava de estar certa de fazer sempre o melhor... não só para ela... Era egoísta, sim, mas não a esse ponto. Queria estar bem, sorrir, ser feliz... Mas mais que isso, gostava de sentir que era capaz de gerar um sorriso inesperado, de proporcionar um momento de felicidade incalculada, de despertar o gosto por uma felicidade mais comum, mais do dia-a-dia, mais regular, mais simples, mais real, mais palpável, mais presente, mais feliz...

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Vindo do nada disse o que sentia!

Vindo do nada disse o que sentia. O que queria; o que lhe ía na alma e no coração. Talvez pudesse ser mais clara. Achava que não. Saiu de repente qual fonte de que jorra uma água límpida e fresca. Era uma mensagem pura. Talvez mascarada com a máscara da pouca subtileza que lhe restava... Do receio de ser agressiva ou invasiva. Disse-o e tentou sentir-se aliviada por isso. Mas não sentiu. Pelo contrário! Faltava-lhe a presença, a expressão, o olhar, o bater de coração, a voz embargada. Faltou-lhe ver reacção. Faltou-lhe o que continuava a faltar. Saber. Queria ter nas mãos um poder especial. Queria entrar na sua cabeça, no seu peito e sentir. Perceber. Queria querer diferente...Vindo do nada disse o que sentia. Partilhou-o! Pode ter sido mera comunicação disfarçada no etéreo e mundano que fez transparecer. Mas sabia que a máscara era apenas parcial. Sabia que havia passado mais do que havia dito. Havia um olhar que não a largava. Não a deixava sossegar, esquecer... Repetia-se uma e outra vez... Curto! Sempre curto, mas nem por isso com falta de intensidade. Não! Era um olhar que percorria a sua alma desnudada. Talvez procurasse algo. Talvez um defeito para fugir de alma ferida. Talvez algo mais intenso, disfarçado, mascarado por palavras vãs...Vindo do nada disse o que sentia! Esperava algo de volta, claro. Mas sabia-se de esperança louca... Sabia que era monólogo. Sabia que se limitaria a partilhar algo de muito seu... Não mais! Queria não precisar de o fazer. Queria afastar-se. Queria olhar com a lente da distância e da racionalidade. Queria não apertar, não agir, não falar, não procurar...Sabia que o destino do que dizia era cinzento. Sem cor, sem brilho, sem definição. Nem de perto preto ou branco. Sabia que podia acinzentar ainda mais, mas num momento egoísta agiu. Fê-lo! Vindo do nada disse o que sentia! e por breves segundos sentiu alívio. Sabia que não faria bem a ninguém. Sabia que não tinha esse direito. Mas tinha a liberdade e fê-lo! Sabia que até podia ter efeito contrário ao desejado... Mas aquele aperto no peito... aquela respiração acelerada... aqueles tremores inexplicados, descontextualizados...Vindo do nada disse o que sentia! Secretamente e sem sequer o admitir para si própria, esperava resposta... Esperava sobretudo que a mensagem não transmitida, chegasse... Esperava secretamente que o desfecho fosse diferente do expectável. Esperava perseverança. Esperava sonho. Esperava vida. Esperava coragem e determinação. Esperava clareza de espírito e aventura de coração. Esperava ambição. Esperava decisão. Esperava alegria no olhar. Esperava genuinidade e abertura para tal. Esperava intensidade nos sorrisos dos olhares. Esperava crescimento... Esperava espera e esperar...Vindo do nada disse o que sentia!

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domingo, maio 25, 2008

O meu canto laranja...

Pela janela entra uma luz fim-de-tarde... Porta escancarada, entram cheiros de Primavera... O mar ao longe marca presença somente subtil. Está lá, eu sei... mas mantém a discrição...
O meu canto laranja está preparado para me receber. Almofadas aconchegadas, aparelhagem a postos, livro de poesia, revistas de decoração, uma tela, pincel e tintas... chávena de chá a fazer...
O pôr-do-sol... Aquela altura depois... em que ainda há luz, mas já não sol... Em que a noite chega. Em que algo morre e algo se renova. Em que tudo se prepara para o sossego... A primeira estrela que surge num céu azul forte...
Lembranças e sorrisos... Pensamentos e tristezas... Palavras e olhares...
Um aperto cá dentro mostra-me as meias e a manta mesmo à espera que me enrosque...
Nuvens a contraluz. Gata que me beija a mão. Gato que se aninha.
Encolho-me no meu canto laranja. Deixo a mente voar para onde não deveria. Deixo o coração bater pelo que não poderia... cinco minutos de nada... emoções de tudo...
Nada nas minhas mãos, tudo no pensamento, na mente, na alma, no coração, na memória...
Estou aqui e por aqui estarei... no meu canto laranja com luz fim de tarde e cheiro Primavera...

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quarta-feira, maio 21, 2008

Tremendo

Disse-lhe para ir... e foi! Subiu 3 andares com a sofreguidão de um ano de espera e ânsia e instigação e contenção...
As pernas tremiam-lhe e não era de cansaço. Sorriu! Corou! Respirou fundo a dar a conhecer o cansaço... ou a disfarçar tudo o resto. Pediu um copo de água. Ajudaria a recuperar o fôlego... ganhar tempo para acalmar os batimentos descompassados e desorientados de um coração que há muito o esperava. Deu-lho. Ao passá-lo para as suas mãos, olharam-se nos olhos. Perto. Cobardemente, baixou os seus e agarrou-se ao copo de água com as duas mãos. Confessou: Estou a tremer... Muito! Riram... Bebeu a água. Apenas dois ou três tragos. Não cabia mais... Estômago cheio de nada... Não aguentava mais aqueles olhos pousados nos tremeliques das suas mãos. O som do copo a bater-lhe nos dentes. O sorriso especado a constatar o nervoso miudinho... Ali ao lado, olharam-se. Perto! Muito perto! Tremiam ambos... Pousou-lhe a cabeça no ombro. Era o primeiro contacto físico que tinham... De imediato se abraçaram. Acariciou-lhe o cabelo. Afastaram-se um pouco. Olharam-se. O primeiro beijo. Tremiam ambos... Pega-lhe na mão e coloca-a no seu peito. O batimento cardíaco era rápido. Forte. Compassado. Nervoso. Os olhares sorriram... Entregaram-se a um prazer adiado demasiadas vezes... Sorriram. Riram. Admiraram. Sussurraram. Brincaram. Gemeram. Gritou... Absorveram-se com o olhar, a boca, as mãos que percorriam cada pedaço de pele. Olhares. Diversos. Intensos. Prolongados. Desafiantes. Agradados. Curiosos. Alegres...
Deixaram-se envolver em gestos e prazeres por tantas vezes imaginados, sonhados, ansiados, adiados... Talvez por isso a intensidade. Mas não deixaram de brincar, de rir, de estar estranhamente à-vontade. A nudez não lhes diminuia a naturalidade. Apesar de ter alguns receios em relação a essa partilha deixou-se ir... deixou-se estar. Nem pensou. Simplesmente voou num prazer por demais desejado. Encaixaram-se uma e outra vez. Sempre de olhos postos. Admirou-lhe um olhar nunca visto. Admirou-se com a estranheza e questionou. Classificou-o! Admirou-o novamente. Provocaram-se mutuamente... Esqueceram o mundo e tudo o que rodeava...
Ofegantes, recostaram-se! Sorriram. Riram. Toques subtis. Meigos mas não intrusos. Doces mas não invasivos. Afinidade? Intimidade? Partilha de coisas comuns. Palavras que se soltam e voam.
Desceu os três andares a saltitar... Quer concerteza tornar! Quer voltar a encaixar, a olhar, a tremer, a corar, a gemer, a acariciar, a beijar, a rir e a sorrir...

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terça-feira, maio 20, 2008

Véspera do que há-de ser...

Há algo no ar que a obriga a respirar fundo. O ar frio que percorre as narinas quase dói. Nos pulmões é insuficiente. O estômago aparenta vazio quando a luz surge. Percorre-a um arrepio longo, suave, firme. O burburinho permanece. Aumenta, parece! Estremece. Sacode a cabeça em jeito de libertação da energia acumulada. Torce o pescoço para ambos os lados. Estica os braços acima da cabeça. Alonga o tronco de ambos os lados e permite-se descontrair. Quer relaxar. A tensão acumulada nos ombros vê-se à distância na rigidez da posição que adopta por horas a fio. Não queria estar ali. O seu pensamento viaja por um éden desconhecido. Ofusca-lhe o pensamento, a luz que chega duma imagem não realizada. Lê palavras inesperadas e o arrepio percorre-a. Tomada pelo desejo, permite-se sonhar acordada! Partilha. Questiona-se e tenta em vão realizar algo que não é senão emoção. Quem sabe já sentimento. Nega-o com veemência, firmeza, segurança... Nega-o... Mas duvida de si própria. Os arrepios, os sonhos, as luzes, as energias... Assusta-se! Da posição rígida, dá um salto. Um músculo do ombro que fica preso... Dorida, luta em vão por um regresso a uma posição confortável. Não a mesma, a inicial, essa não quer. Já chega! Está farta! Quer outra, mas o corpo entorpecido de horas de inanição está perro. Custa a mexer. Talvez enferrujado. Luta consigo mesma e com cada pedaço do seu corpo. Sabe que não poderá voltar à mesma inanição. Sabe-o, tal como o sabe cada pedaço de pele, cada aroma absorvido, cada olhar partilhado. Sabe-o. É intrínseco. É demasiado interior. Apenas o sabe e pronto. É difícil mexer o estático e estabelecido. É difícil agitar águas estagnadas. Sabe-o! Sente-o! Mas continua a sentir uma dor lancinante. Sente-se presa! Estará coberta de entulho? Soterrada? Será apenas o ar frio que custa a chegar as pulmões? Tem uma vontade inexplicável de saltar da cadeira e correr em direcção à porta. Girar a maçaneta. É daquelas antigas. Redondas. De um bronze gasto, velho. Range. Está pesada, presa. Mas roda. Gira em torno de si mesma até que se ouve um click e a porta fica subitamente leve. Como que empurrada por uma leve brisa, deixa antever um verde pasto, de aromas recheado e sensações à flor da pele.
Não consegue correr... Um músculo preso grita de dor. Grita por socorro que não chega, não é suficiente. Sente uma mão firme. Forte. Suave. Macia. Viaja pelo seu corpo ao sabor do desejo e ao ritmo do que sabe que não pode. Abstrai-se de si mesma e observa o prazer oferecido. Recebido. Quer mais... Mais tempo. Mais liberdade. Mais seriedade. Mais firmeza. Mais frequência. Mais certeza! Mais...

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Solavancos...

Sinto-me pronta! Mais que pronta! Seria já se pudesse... Sinto um misto de nervosismo e curiosidade. Não será a melhor das ocasiões. Não será a melhor das circunstâncias... Sinto-me pronta...

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