domingo, maio 18, 2008

Em Berlin, um destes dias...

Estou bloqueada num pensamento que não quero ter!
Estou num registo que não me queria permitir...
Sinto-te a falta! Preciso de ti! Quero-te e desejo-te como não queria admitir. Não é amor, nem sequer paixão... Chamei-lhe tesão. Não te conheço e será por aí a minha necessidade e curiosidade. Bastar-me-ia um vão de escada, um beco escuro... Preciso-te! E não te abdico! Estás intermitente. Estás oscilante! Estás e não estás! Desejas-me mas não me procuras. Provocas-me mas não me sacias. És tu e não te deixas ser... Mostras o que queres mas não to permites. És tu sem o ser. E eu cá estou! Aguardo uma abertura, quem sabe uma loucura, deliro com o prazer que será. Sonho com gritos, gemidos. Possuis-me. Mas faze-lo sem me tocar. Prendes-me a alma. Seguras-me a emoção. Castras-me o desejo e não me deixas voar. Aqui estou expectante e sonhadora. Aqui estou com um desejo que não controlo nem explico... Aqui estou sem me libertar, sem me deixar ir, sem sequer desejar para além do horizonte imediato... Estou presa a ti sem nunca te ter tido. Estou contigo sem te conhecer o sabor. Ouço-te, vejo-te, desejo-te, absorvo-te...

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Um destes fins de tarde...

Estou de volta! O sol põe-se por entre as nuvens. O chá é de cidreira. Com mel. Faz vento. Muito! E frio! Tenho a mente vazia e ao mesmo tempo em viagem... No vidro há salpicos da chuva que caiu. Secos! Lá ao fundo as Berlengas. O céu está raiado de tons de laranja, amarelo, vermelho. Caiem bem nos cinzas... Palavras que me chegam. Conceitos que assustam. Impelem. Impedem... Não digo que não! Mas não agora! O agora é só meu! Estou centrada em mim... Egoísta! Quero os meus momentos só para mim. As minhas nostalgias, as minhas viagens através dos sonhos. Os meus sorrisos, as minhas lágrimas. Tudo meu! Há quem me chegue... Há quem me toque! Quem me arranque sorrisos. Quem me faça usar um vestido. Quem repare no meu cabelo novo. Há! Mas é longe, é distante, é quase frio, quem sabe dorido.
Penso, e sinto, e falo, e canto, e choro, e grito, e sorrio, e escrevo...
A luz do sol que se põe reflecte-se no finzinho das nuvens. No seu contorno. Torna-as brilhantes. Luminosas, bonitas, inspiradoras.
A luz interior do Ala Norte começa a notar-se.
O mar está revolto. Como eu tanto gosto! Sinto-me assim, mas também quase vazia. Apetecia-me puxar da manta. Mudar a música. Pedir uns biscoitos, mais água quente, mais mel e ficar! Esquecer o que aqui me trouxe, virar para dentro! Não falar, não pensar, não nada...

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Uma noite destas...

Ouço! Sussurra-se ao ouvido. Always have to steel my kisses from you... Garanto-te que não me roubarias nada... A não ser de emoção...
Estou deslocada! Por veses sinto-me desconfortável. Observada. Apreciada. Estudada. Um pouco invadida até!
Estou numa posição muito pouco confortável. Também estás! Eu sei! Tinha uma leve esperança que se repetisse o último cenário. Mas creio que a não repetição terá um significado. Não me agrada, como calculas. A comunicação que flui nos nossos olhares trocados é inimaginável, inexplicável... Deixa-me a tremer. Corro sérios riscos. Sérios riscos de que nada disto acabe bem... De que o meu equilíbrio se esfume no ar, ao sabor e velocidade de um estalar de dedos... Tenho medo! Mas sou incapaz de sair de cena. És-me demasiado especial. És-me demasiado importante. Vejo-te e observo-te com a tua gestão de emoções. Não precisas falar para chegar a mim. Basta um olhar. Dissimulado. Perdido. Rápido. De soslaio. Há que ser discreto. Olhas-me novamente. Fundo. Quase me lês a alma. Se não o fazes é porque não queres...
Segues-me com os olhos, acompanhas-me com o pensamento, não me abandonas com a tua memória. Apesar da distância, apesar da fala de proximidade, sinto-te dentro de mim. Da minha cabeça, do meu peito, do meu corpo... Acompanhas-me. Sonho contigo. Acordo! Anseio por um momento adiado por demasiadas vezes... Tenho-te sede. Tenho-te fome. Tenho falta. E esta é a única forma como te tenho...

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