quinta-feira, abril 12, 2007

Há dias assim... #23

Lá por dentro, nada para...
Nada é igual, nada é monótono...
Lá por dentro tudo mexe e remexe e revolve e movimenta e renova e nasce de novo e outra e outra e outra vez...
Lá por dentro há um bichinho. Um bichinho que não se afasta, que marca presença e grita a plenos pulmões que está vivo e quer viver e sentir e sorrir e brincar e olhar e...
Lá por dentro aquele bichinho que foi sendo empurrado para baixo ganha forças. Como que guarda mantimentos e cria stocks para um dia destes...
Lá por dentro o bichinho espreita e pisca o olho à luz do dia e canta baixinho. Não se ouve bem, mas o que pretende é marcar presença. Não ficar esquecido. Apenas lá. Quieto. Sossegado. Em paz. Mas alerta...
Há dias em que o bichinho sorri mais forte, canta mais doce, espreita com mais convicção.
Há dias em que a luz do sol chega lá dentro e deixa um cheiro a Verão. A azul. A sol. A calor. A sorrisos.
Há dias em que o bichinho lá no fundo se remexe com mais força e parece dizer que não precisa de mais mantimentos, que não mais quer cantar baixinho que a toca já não lhe chega...
Há dias em que o bichinho quer abrir os braços e abraçar as flores, e a maresia e o som de uma cantiga doce e meiga que chega nítida e forte...
Há dias em que o calorzinho fora da toca é mais convidativo que a segurança lá dentro.
Há dias em que apetece cometer loucuras e oferecer os mantimentos todos e gritar a plenos pulmões que não mas é Inverno, que não mais se hiberna, que não mais se encolhe, que não mais se esconde...
Há dias em que o mundo não chega e as palavras não explicam e os sons não preenchem.
Há dias em que o bichinho só quer espreitar à porta da toca e receber em troca um sorriso enorme, bonito, sincero, aberto, bem-disposto...
Há dias assim...

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